A literatura lusófona africana
Conhecer a literatura africana de expressão portuguesa pode ajudar-nos a compreender a nossa própria história e os impasses que precisamos enfrentar na construção de uma sociedade igualitária e justa, já que há uma grande proximidade entre aspectos da realidade social e cultural do Brasil e desses países.
Muitos são os laços históricos que aproximam o Brasil e a África. A natureza dessas relações políticas, comerciais e culturais tornou-se objeto de investigação de muitas pesquisas da área das humanidades.
No século XX, a literatura africana de língua portuguesa expandiu-se e somou-se às tradições literárias de Portugal e Brasil. Essa literatura constitui um importante elo simbólico entre Europa, América e África.
Segundo Roberta Hernandes e Vima Lia Martin (2010)[1], o movimento literário a partir da Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo, afirmou a independência literária brasileira determinando os temas e as formas da literatura modernista. É a esse movimento de afirmação da “brasilidade” que ocorreu a adesão dos escritores africanos lusófonos. Temos assim, a partir dos anos de 1950, a busca pela chamada “africanidade” na qual “os africanos pudessem se reconhecer como sujeitos livres e portadores de uma cultura própria.” [p. 114]. Esse esforço está diretamente relacionado com as lutas pela conquista da emancipação das colônias africanas.
Temos a partir daquele momento a criação de grupos de escritores africanos que se organizaram para produzir uma literatura que de fato focalizava os problemas de seus países recuperando a sua história e sua identidade.
Conforme FARACO(2010)[2], didaticamente podemos dividir a literatura em língua portuguesa produzida na África em três períodos:
Num primeiro momento, temos pessoas de ascendência europeia que escreviam relatos de viagens, estudos etnográficos e textos de ficção que exaltavam sob a ótica do colonizador a beleza, a exuberância, a sensualidade nativa com raras referências às reais situações de opressão e exploração econômica.
Na segunda fase aparecem escritores identificados com as questões africanas, muitos envolvidos com a luta anticolonial e, como consequência, suas obras possuem a marca do combate político, o lamento à opressão colonial, o apelo à revolta e a luta pela emancipação, assim como a esperança de novos tempos. Destacam-se nesta fase autores como como Mário António, Agostinho Neto, José Luandino Vieira, Viriato da Cruz, António Jacinto, José Craveirinha, Noêmia de Sousa, Vasco Cabral, Alda Espírito Santo, Manuel Lopes, entre outros.
Já na fase posterior temos uma diversificação dos caminhos da literatura de expressão portuguesa, aumenta o número de obras em prosa, diluiu-se a poesia de combate, publicaram-se obras que foram censuradas, há um esforço em dar sentido à realidade de cada país, ampliou-se o universo temático que passou a abranger desde conflitos sociais e econômicos até as tradições locais, além de temas universais como o amor, a infância, a dor. Pode-se dar destaque a escritores como Pepetela, José Eduardo Agualusa, Ana Paula Tavares, Ondjaki, Luis Bernardo Honwana, Mia Couto, Eduardo White, Conceição Lima; Vera Duarte, Helder Proença.
A literatura africana de língua portuguesa tem a tendência a crescer e continuar ganhando projeção internacional.
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